A União Europeia condicionou sexta-feira, a continuação do apoio à Guiné-Bissau à libertação do almirante Zamora Induta, à nomeação de novas chefias militares e à apresentação à justiça dos responsáveis pela intervenção militar de 01 de abril.
O presidente da República, Malam Bacai Sanha, respondeu cancelando uma audiência que tinha agendado com o delegado da UE no país, Franco Nulli, de acordo com uma nota do jornalista António Aly Silva, no seu Blog “Ditadura de Consenso”. Este diz que
Bacai Sanha não teria gostado das declarações de Nulli à RDP África, onde este ditava sentenças pedindo a "libertação de Zamora Induta" e a responsabilização/ condenação dos implicados no caso 1 de abril.
Segundo a Lusa, a posição oficial da União Europeia foi transmitida pelo português José Costa Pereira, chefe da Unidade África no secretariado do conselho da União Europeia, no final de uma visita à Guiné-Bissau para contactos com as autoridades.
"Temos um período máximo de quatro meses para refletir. Em Bruxelas os nossos superiores irão refletir, a partir daquilo que iremos transmitir, sobre se existem condições para continuar a dar apoio", afirmou o porta-voz daquela missão.
"Isso será transposto através da revisão estratégica da relação da União Europeia com a Guiné-Bissau, que terá que ser discutida até final de junho", disse.
"Até final de Junho, nós precisamos de ver da parte das autoridades da Guiné-Bissau as iniciativas necessárias que nos levem à continuidade dos apoios", salientou.

Questionado pelos jornalistas se há risco de corte nos apoios a setores que não sejam a reforma de defesa e segurança, o responsável referiu "exceto no que diz respeito ao auxílio humanitário".
Para a continuidade dos apoios, a União Europeia pede a libertação do almirante Zamora Induta, chefe das Forças Armadas detido na intervenção militar de 01 de abril, e a nomeação de novas chefias militares se as autoridades assim o entenderem.
"Se houver uma decisão do poder político no sentido de renovar a chefia das forças armadas que sejam entidades credíveis, pessoas credíveis que não tenham estado implicadas nos acontecimentos de 01 de abril, que venham a ser os nossos interlocutores", afirmou José Costa Pereira.
Para os autores da intervenção militar de 01 de abril, o responsável defende a "abertura de um inquérito aos acontecimentos".
"Existindo prevaricadores devem ser naturalmente castigados", sustentou José Costa Pereira.
"Num Estado de Direito um vice-chefe das Forças Armadas não sequestra um primeiro ministro, um vice-chefe do Estado-Maior não aprisiona o Chefe do Estado-Maior. São situações que não são normais. São situações que não ocorrem num Estado de Direito, são situações que não podemos minimamente tolerar", salientou.
Questionado se recebeu indicações sobre a eventual libertação de Zamora Induta, José Costa Pereira disse que não.
"Não recebemos nenhuns sinais concretos sobre a libertação do almirante Zamora Induta. O que nos foi dito é que existe já uma ação intentada contra ele, inquérito contra ele, e que teria já contratado um advogado para defender-se da acusação de que é alvo", afirmou.
José Costa Pereira adiantou que, nos encontros que manteve com as autoridades guineenses, a apreciação é que existe da parte das autoridades compreensão de que aquilo que aconteceu no dia 01 de abril não foi benéfico para a Guiné-Bissau.