Angola: FMI projecta inflação de cerca de 14% até final de 2015

Angola: FMI projecta inflação de cerca de 14% até final de 2015

O mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta sexta-feira, 30 de Outubro, prevê que a inflação atingirá os 14% até final de 2015, impulsionada principalmente pela crescente queda das receitas do petróleo no mercado internacional.

O Banco Nacional de Angola (BNA) tinha uma projecção da inflação estimada entre 7 a 9%.
Segundo o FMI, os sectores industrial, da construção e dos serviços estão a ajustar-se à queda do consumo privado e do investimento público e às dificuldades persistentes para obter moeda estrangeira.
O Fundo Monetário Internacional enfatizou a necessidade de Angola prosseguir os esforços para diversificar a economia do país, simplificar o processo de constituição de empresas e reforço do Estado de direito – bem como à melhoria das infra-estruturas físicas e do capital humano.
O documento revela que o orçamento do país para 2015 prevê a descida do défice do governo central para 3,5% do PIB, face aos 6,4% registados em 2014. A projecção para a dívida pública, porém, é de um aumento expressivo, para 57,4% do PIB até ao final de 2015, dos quais 14,7% do PIB correspondem à empresa estatal de petróleo, a Sonangol. Prevê-se que o défice da balança corrente externa ascenda a 7,6% do PIB em 2015 e que as reservas internacionais diminuam para USD 22,3 mil milhões (cerca de sete meses das importações de 2016) até ao final de 2015. Entretanto, verificou-se um grande diferencial entre a taxa de câmbio do mercado paralelo e primário, o que indica um desequilíbrio no mercado cambial.
A organização financeira internacional afirma que é provável que, em 2016, a conjuntura económica continue a apresentar desafios para Angola, “pois não se espera que os preços internacionais do petróleo recuperem e os riscos são negativos”.
Projecta-se que o crescimento permaneça estável em 3,5% em 2016 e que o sector do petróleo cresça cerca de 4%. A expectativa para o sector não petrolífero é de uma ligeira melhoria, com crescimento homólogo de 3,4%, impulsionado sobretudo pela recuperação mais robusta da agricultura.
A inflação deverá abrandar para 13% no final de 2016.
O FMI congratulou as autoridades pelas medidas políticas atempadas face ao declínio dos preços do petróleo. “Embora as perspectivas de crescimento sejam estáveis, a persistência dos preços internacionais do petróleo em níveis baixos e o ambiente mundial incerto representam riscos consideráveis”, diz o relatório.
No documento, os administradores do FMI vincaram que o compromisso contínuo com políticas sólidas e a realização de reformas estruturais ambiciosas são fundamentais para preservar a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade da dívida, abordar os desequilíbrios prolongados no mercado cambial e promover o crescimento vigoroso e inclusivo.
Referindo-se à elaboração do orçamento de 2016, o Fundo incentivou as autoridades angolanas a utilizar pressupostos cautelosos sobre o preço do petróleo e um nível prudente de despesas, preservando os gastos com a protecção social e as infra-estruturas essenciais.
Os Administradores do FMI realçaram a necessidade de racionalização das despesas e de maior mobilização de receitas não petrolíferas. Instaram por esforços coordenados para conter o crescimento da massa salarial, reformar a administração tributária, simplificar os incentivos fiscais, melhorar a qualidade do investimento público e eliminar os subsídios aos combustíveis, alargando, em simultâneo, a assistência social orientada para os pobres.